terça-feira, 22 de setembro de 2009

The Edukators.

O primeiro filme que assisti ontem chama-se "The Edukators" e eu confesso que nunca tinha ouvido falar dele antes... É um filme de 2004 portanto é inevitável dizer que nunca ouvi falar dele por pura ignorância minha, pois tempo para isso eu tive bastante.

O filme conta a história de uma dupla de garotos que percorre os bairros nobres da Alemanha invadindo mansões de magnatas, mas existe um porém: Eles nunca roubam nada. Apenas desorganizam toda a mobília e deixam uma das seguintes mensagens: "Seus dias de fartura estão contados" ou "Você tem grana demais, assinado The Edukators". Um dia Jule, a namorada de Peter, é despejada de seu apartamento por ter consumido uma dívida de cem mil euros com o magnata Hardenberg por ter perdido o controle de seu carro e batido em uma de suas inúmeras Mercedes e é convidada pelo namorado a morar com a dupla. Quando a garota descobre com qual atividade os garotos ocupam suas noites, resolve invadir a casa do milionário que a "ferrou"...Mas eles são pegos.

O filme trata basicamente de revoluções sociais, mas o mais legal é que a política não está estampada em cada minuto da história. Ela está presente o tempo todo porém camuflada pelos conflitos e discussões dos jovens. Os jovens anarquistas conseguem nos surpreender com suas atitudes perante a sociedade atual onde achávamos que tudo já havia sido feito algum dia e que todos os tipos de pensamento já haviam sido expostos e suas práticas exercidas.
Eu nunca tinha ouvido falar do diretor Hans Weingartner, assim como nunca tinha ouvido falar em The Edukators, mas agora pesquisando mais descobri que o cara é um austríaco residente em Berlim há anos e que ele também fez um outro filme chamado "The White Sound" (não sei o título em português). Ambos os filmes foram gravados em versão original em alemão, e tem como cenário a Alemanha.
Achei que o diretor abordou a política em seu filme de forma prática e talvez (isso pode ser só na minha cabeça, adianto) tentou fazer uma denúncia a sociedade que generaliza os problemas ao colocar na boca de seus personagens argumentos como "a fome das crianças na África e a falta de possibilidades das mesmas " e "com todo o seu dinheiro você poderia alimentar todas elas". Gostei muito do momento em que Hardenberg afirma já ter sido líder de um grupo revolucionário quando era jovem, mas que foi engolido pela sociedade e suas táticas.
O filme trata também de um triângulo amoroso (não poderia faltar, né?!) entre os três personagens principais, o que gera uma grande briga que - confesso agora - é uma das coisas que deixou o filme mais interessante. O momento em que os amigos Jan e Peter se reconciliam marca o filme com sua profundidade sem apelar para uma trilha sonora sentimental ou palavras (banais) de amor.
O final é bem do tipo "você nunca saberá o que aconteceu", mas não acho que isso tenha estragado o filme por ser algo muito comum em longas. O que me decepcionou é o fato de o filme ter tido um sucesso comercial muito pequeno, não foi muito aceito pela sociedade atual talvez por ser um filme meio alternativo que trata do anarquismo como movimento principal. Não acho que o diretor tenha ligado muito pois como li em algumas entrevistas o mesmo é grande fã do movimento Nouvelle Vague que tem como principal objetivo a liberdade de expressão de um diretor sem ligar para questões comerciais.
Eu totalmente indico e peço que as pessoas deêm uma chance ao filme pois o mesmo é muito bom!

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